Transparência

Metodologia

O ClimaBrasil já reúne dados importantes. O nosso problema não era criar mais dados — era transformar esses dados em uma pergunta prática: onde olhar primeiro? Esta página explica, passo a passo, cada regra, cruzamento e o que cada camada do mapa representa.

Visão geral do método

A lógica central do produto é um pipeline único e rastreável:

Em paralelo, o mapa usa malha e proxies do IBGE para contextualizar todos os municípios de um estado. Essa camada não substitui a fila ClimaBrasil: são leituras distintas, com fontes distintas.

Duas leituras que não se misturam

Leitura A — fila do produto

Entes do Painel ClimaBrasil

Estados/DF e municípios/capitais avaliados no Painel (~51 entes). Ordem por necessidade potencial de atenção (G3, G6, P5). Cada ficha explica a posição com os indicadores oficiais.

Leitura B — contexto no mapa

Municípios IBGE do estado

Todos os municípios da UF, coloridos e ranqueados com proxies demográficos/socioeconômicos (população, renda, densidade). Serve para navegar o território; não cria “dado de bairro” nem substitui o Painel.

Base oficial e filtros

  • Fonte: arquivo oficial Painel_ClimaBrasil_Dados_Originais.csv (45 itens · 27 estados · 24 municípios (Painel)).
  • Painel público: panorama local do Brasil.
  • Metodologia oficial (PDF): Painel ClimaBrasil — maio/2025.
  • Eixos lidos: Governança, Políticas públicas e Financiamento.
  • Exclui registros confidenciais (confidentiality_status = C).
  • Exclui entes consolidados (Estados/Municípios consolidados).
  • Diferencia Estado e Município com o mesmo nome via ID composto (ex.: Rio de Janeiro Estado ≠ Município).
  • Cada ficha aponta para a rota correspondente no painel oficial.

Cobertura processada: 51 entes, 2292 avaliações, 51 rankings.

Pontuação operacional (estágio → número)

O Painel registra estágios qualitativos. Para calcular médias e a fila, convertemos cada estágio em uma pontuação operacional:

Sem progresso

0

Estágio inicial

33

Estágio intermediário

67

Estágio avançado

100

  • “Não se aplica”, “Não avaliado” e vazios não entram na média.
  • Calculamos média geral, médias por eixo e médias por componente (G1…G7, P1…P5, F1…F3), alinhadas aos gráficos do Painel.
  • As cores no mapa de estados seguem as faixas oficiais do ClimateScanner / ClimaBrasil.

Fila de atenção (somente ClimaBrasil)

Entre os entes do Painel, “onde olhar primeiro?” usa três componentes oficiais. Maturidade alta significa menos necessidade naquela dimensão; por isso a necessidade é o complemento:

necessidade = 100 − maturidade_do_componente
DimensãoComponenteSignificadoPeso
Exposição / riscoG3 — Gestão de riscosQuanto o ente mapeia e gerencia riscos climáticos45%
VulnerabilidadeG6 — Justiça climáticaTema avaliado no Painel (vulnerabilidade e equidade) — não veredito de “injustiça”35%
Capacidade de respostaP5 — Defesa civil e riscoPreparo institucional para responder a desastres20%
prioridade = 45%·need(G3) + 35%·need(G6) + 20%·need(P5)
  • A home e a ficha usam a mesma regra.
  • Em cada território, “Por que este ente está aqui?” mostra o breakdown G3 / G6 / P5 que produziu a posição.
  • O índice é sinalizador de necessidade potencial de atenção— não ordem de benefício, não sentença de justiça climática e não classificação oficial do TCU.

Camadas do mapa (cruzamentos geográficos)

O mapa empilha três níveis. Cada um tem fonte e papel claros:

Ranking municipal IBGE (contexto no mapa)

Dentro de um estado, todos os municípios são comparados entre si com percentis (0–100) calculados só naquele conjunto:

ProxyDado IBGEComo vira scorePeso
RiscoPopulação (Censo 2022, SIDRA)Percentil de log(1 + população) — mais gente → mais exposição potencial45%
Renda / equidadeRenda mediana (Censo 2010, SIDRA)Percentil de 1/renda — renda menor → score maior35%
Infra / coberturaDensidade demográfica (Censo 2022)Percentil de densidade invertida — áreas mais dispersas → score maior20%
índice_IBGE = 45%·risco + 35%·renda + 20%·infra

Interpretação operacional do ClimaJusta para priorização geográfica — não é classificação oficial do IBGE nem do TCU, e não afirma que o município é “injusto climaticamente”.

15 componentes oficiais do Painel

Todos vêm da metodologia oficial do ClimaBrasil. A fila de atenção destaca G3, G6 e P5; os demais alimentam médias, lacunas e a ficha do ente.

  • G1 (Governança) Quadro legal e regulatório
  • G2 (Governança) Estrutura governamental
  • G3 (Governança) Gestão de riscosna fila
  • G4 (Governança) Coordenação horizontal e vertical
  • G5 (Governança) Engajamento das partes interessadas
  • G6 (Governança) Justiça climáticana fila
  • G7 (Governança) Atuação do Legislativo e Judiciário
  • P1 (Políticas públicas) Estratégias de mitigação
  • P2 (Políticas públicas) Estratégias de adaptação
  • P3 (Políticas públicas) Políticas públicas e mitigação
  • P4 (Políticas públicas) Políticas públicas e adaptação
  • P5 (Políticas públicas) Defesa civil e risco de desastrena fila
  • F1 (Financiamento) Finanças e gastos públicos
  • F2 (Financiamento) Captação de recursos
  • F3 (Financiamento) Mobilização de investimentos privados

Comentários e alertas rastreáveis

Além das notas numéricas, lemos os comentários do Painel (quando existem) para gerar alertas operacionais. Cada alerta pode abrir o trecho original que o fundamenta.

  • Busca menções a populações vulneráveis e justiça climática (tema do Painel, não veredito nosso).
  • Busca orçamento, PPA, LOA, programas, ações e valores em R$.
  • Exemplos de alerta: baixo financiamento; ausência de evidência de proteção a vulneráveis; recursos mencionados sem detalhamento suficiente.
  • Menção a valor em reais não comprova pagamento, execução de obra ou atendimento a bairros.

O que afirmamos — e o que não afirmamos

Afirmamos

  • Usamos indicadores do próprio ClimaBrasil na fila de atenção.
  • A regra G3/G6/P5 é transparente e repetível.
  • O território apresenta maior ou menor necessidade potencial de atenção segundo esses indicadores.
  • O mapa IBGE é contexto demográfico/socioeconômico citável.

Não afirmamos

  • Que medimos “justiça climática” de forma completa ou definitiva.
  • Que um município é “o mais injusto” ou “tem justiça climática”.
  • Ordem de quem deve receber recursos primeiro.
  • Que a camada de bairros é dado oficial do ClimaBrasil (é demonstrativa / evolução).
  • Classificação oficial do TCU.

Justiça climática permanece na finalidade da solução e como tema avaliado no componente G6 do Painel — não como sentença que o ClimaJusta alega ter medido perfeitamente.

Evolução prevista

No hackathon, preferimos profundidade e rastreabilidade a uma falsa precisão. Os destaques nacionais da home são conclusões editoriais do próprio panorama do Painel; o ranking e as fichas usam o microdado oficial item a item.

O mapa e os alertas são interpretações operacionais do ClimaJusta. A fila de atenção (indicadores ClimaBrasil) e os proxies IBGE no mapa são sinalizadores de necessidade potencial — não ordem de benefício nem sentença de justiça climática. Menções a orçamento/valores nos comentários não comprovam pagamento, execução de obra ou atendimento a bairros.